USF do Minho integra projeto-piloto do Armazém Avançado em Farmácia
A Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian já tinha sido incorporada na Universidade do Minho quando Andreia Monteiro Silva, 41 anos, terminou o seu curso, em 2007. E começou logo a trabalhar na área que queria, a dos CSP, no Centro de Saúde de Vieira do Minho, de onde é, aliás, natural.
Especialista em Enfermagem Comunitária e de Saúde Familiar, tem a Competência Acrescida Avançada em Intervenção Avançada em Feridas, reconhecida pela Ordem dos Enfermeiros, fazendo parte da Direção da ELCOS – Sociedade Portuguesa de Feridas.
“A área das feridas ensinou-me que a qualidade dos cuidados depende tanto do conhecimento clínico como da forma como organizamos os recursos”, garante a enfermeira, que ainda se lembra do dia exato em que começou a trabalhar na USF do Minho -- 22 de agosto de 2017.
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Para além da atividade assistencial, Andreia Monteiro Silva é responsável pela gestão do armazém de material clínico. “É um trabalho pouco visível para o utente”, reconhece, “mas garante que a equipa tem os materiais certos, no momento certo e na quantidade certa”. Para além de que “um armazém bem organizado reduz o desperdício, evita ruturas de stock, controla prazos de validade e liberta tempo para o que interessa: cuidar das pessoas”.
Com a criação da ULS de Braga, em janeiro de 2024, mudou o sistema utilizado na área da Farmácia e Logística, passando do Iberia para o Glintt. Mais tarde, conta, “propus que a USF entrasse no projeto-piloto do Armazém Avançado em Farmácia. Hoje, a farmácia é gerida pelo sistema Glintt e a logística por RFID, o que dá mais rastreabilidade e uma reposição muito mais eficiente”.
O RFID (radio-frequency identification) é uma tecnologia de identificação por radiofrequência: cada caixa ou produto tem uma etiqueta que emite um sinal captado por um leitor, sem contacto nem leitura manual de código de barras. E qual é a vantagem? “Permite saber, em tempo real, o que está em stock, onde está e quando atinge o nível mínimo, disparando a reposição automaticamente.”
“Estamos também a reorganizar o espaço fisicamente, com um sistema de gestão visual simples, onde qualquer profissional encontra rapidamente o que precisa. Reutilizamos caixas de supermercado para substituir as caixas de cartão dispersas, uma solução barata e sustentável”, salienta Andreia Monteiro Silva, prosseguindo:
“Este cuidado com os recursos vai ao encontro do próprio compromisso ambiental da ULS de Braga, que tem Certificação Ambiental ISO 14001 e já foi avaliada pela ADENE em economia circular. Reduzir desperdício de material e evitar validades perdidas não é só uma questão de organização, é também sustentabilidade na prática.”
Com uma intervenção inspirada no lean healthcare e na filosofia kaizen -- melhoria contínua através de pequenas mudanças --, “não são precisos grandes investimentos, reorganizar uma prateleira ou tornar um consumível mais visível já traz ganhos reais de eficiência”, diz a enfermeira. E explica que se aplica igualmente a normalização de processos, os níveis mínimos e máximos de stock e o princípio FEFO (first expire, first out) na rotação dos materiais.
“Vejo esta organização como uma extensão dos cuidados: podemos ter o melhor conhecimento científico, mas se o material não estiver disponível ou for difícil de encontrar isso já afeta o cuidado prestado. A qualidade começa antes de chegarmos ao utente”, frisa.
“A inovação em saúde não vem só da tecnologia ou de grandes projetos, vem também de equipas que olham para o seu dia-a-dia e implementam soluções simples”, assegura, admitindo ser exatamente isso que torna o projeto inovador:
“Não utilizamos tecnologia dispendiosa nem uma grande obra, usamos caixas de supermercado, reutilizamos prateleiras, recorremos a etiquetas e a bom senso. Aqui, a inovação não está no investimento, está em olhar para um problema do dia-a-dia e resolvê-lo de forma prática, replicável e sustentável”, garante.
“No fundo, o objetivo é ter um armazém funcional e intuitivo, que apoie a equipa e liberte mais tempo para os utentes. Porque um armazém bem gerido não é só um espaço de arrumação, significa qualidade, segurança e cuidado”, conclui Andreia Monteiro Silva.

A reportagem completa à USF do Minho foi publicada na edição de outubro 2026 do Jornal Médico.
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