USF Famílias: Formação de internos e certificação são as maiores apostas da unidade

Localizada em Lourosa (Santa Maria da Feira), a USF Famílias foi a primeira unidade de saúde familiar de Aveiro a arrancar e está entre as 25 primeiras criadas no país, sendo tema de reportagem da última edição do Jornal Médico. A formação de internos e a certificação são, atualmente, as suas duas maiores apostas.

Desde 2011 que Nunes de Sousa, coordenador da unidade, acumula as funções de diretor do internato da Zona Norte, abrangendo os dois ACES de Aveiro Norte. “Nos últimos três anos, o aumento do número de vagas para o internato tem sido ‘brutal’. Quando assumi este cargo, a Direção de Internato tinha uma média de 20 internos. Neste momento, são 68. E isso fez com que procurássemos novos locais de formação e novos orientadores”, conta.

Com a proliferação das unidades modelo B, a atividade é remunerada e “é mais fácil conseguir orientadores”. Na USF Famílias, o internato é uma das grandes apostas. “Dos 7 médicos, seis são orientadores, tendo a seu cargo, atualmente, 11 internos em formação (dois do 4.º ano, quatro do 3.º ano, três do 2.º ano e dois do 1.º ano)”, menciona, acrescentando que a unidade tem, neste momento, dois gabinetes de consulta atribuídos a internos, além de outros de uso partilhado, que permitem uma adequada gestão da sua atividade assistencial.

Todos os anos, a equipa investiga e procura publicar, independentemente dos internos. Há sempre 2-3 trabalhos que são propostos pelos próprios profissionais da USF que os discutem e vêm a executar. “Anualmente, discutimos os temas que vão ser objeto de investigação. Os internos ficam com uns e os seniores com outros, apesar de todos participarem na recolha de dados que os trabalhos acarretam”, adianta, desenvolvendo que há sempre trabalhos apresentados pelas equipas nos encontros científicos mais importantes.

A unidade tem também um protocolo com a Escola de Enfermagem da Cruz Vermelha Portuguesa de Oliveira de Azeméis e, periodicamente, recebe alunos de Enfermagem.

Maior acessibilidade e capacidade de diagnóstico

Questionado sobre os ganhos em saúde, comparativamente aos Centros de Saúde (CS) tradicionais, Nunes de Sousa afirma que não é possível comparar as USF nem com os CS, nem com as UCSP, porque a organização e planeamento de atividades, bem como as condições de trabalho, são diferentes.

No entanto, o responsável considera que, apesar de as USF “não viverem no luxo” e cada médico da USF Famílias ter uma média de 1750-1800 doentes (mais 200-250 do que tinha anteriormente no modelo CS), é possível ter mais disponibilidade para os utentes, porque o trabalho em equipa, partilhado com os enfermeiros e os secretários clínicos, “facilita imenso”.

Para o utente, as melhorias também têm sido consideráveis. “Os nossos utentes só vão à urgência se referenciados por nós ou então por sua iniciativa, já que temos total disponibilidade para o seu atendimento e resolução dos seus problemas”, refere.

Por outro lado, o nosso interlocutor sublinha que, com as USF, a capacidade de fazer diagnósticos foi aumentada, devido ao trabalho em equipa:

“Quando estou a trabalhar sozinho, a minha capacidade de fazer diagnósticos decorre do meu saber e conhecimento, bem como da minha experiência individual. Numa equipa como esta, há muita gente com muitos saberes e experiência que depois é utilizada na discussão de casos com propostas de intervenção mais eficazes. Por este motivo, a nossa capacidade de fazer diagnósticos aumenta brutalmente, com vantagens óbvias para o doente, que demora muito menos tempo a saber o que tem, e para o sistema de saúde, porque gastamos muito menos a investigar e a tratar adequadamente.”

Acreditação é o grande desafio

Nunes de Sousa adianta que, a curto prazo, a unidade anseia por conseguir a acreditação. É já a segunda vez que se candidata, tendo disponibilizado os incentivos que obteve, mas, apesar de a candidatura estar na Direção-Geral da Saúde e estar tudo confirmado, está dependente da ARS. Contudo, “tem continuado a trabalhar nesse objetivo e a adiantar serviço”.

Sobre esta matéria, em jeito de desabafo, o coordenador da USF afirma ter a sensação de que o processo da reforma dos CSP está, neste momento, em contraciclo e de que a administração, neste caso a ARS, “não valoriza muito estes aspetos”.


A reportagem completa sobre a USF Famílias pode ser lida na edição de janeiro do Jornal Médico.

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