USF Garcia de Orta: Massagem para bebés e teledermatologia com uma equipa «de excelência»

Levou 4 anos a ser criada, por falta de instalações, mas, atualmente, a palavra-chave é sucesso. Em entrevista à Just News, publicada na edição de novembro do Jornal Médico, Clara Fonseca, coordenadora da USF Garcia de Orta, do ACES Porto Ocidental, fala sobre a sua equipa "de excelência", mas também sobre a valência de massagem para bebés e da teledermatologia. Este último projeto leva, inclusive, a USF a ser parceira do Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar do Porto no Fórum que decorre ainda neste mês de novembro.

Em 2011, após a ARS Norte ter conseguido arrendar uma vivenda e adaptá-la, a equipa, constituída por 10 médicos, 10 enfermeiros e 7 secretários clínicos, iniciou funções. “Valeu a pena esperar. Atualmente, estamos num espaço muito agradável, apesar de a sala de espera ser pequena”, explica a médica. O espaço pode não ser muito grande para quem espera, mas isso não significa falta de conforto.

“Não costumamos ter problemas, porque temos os horários assistenciais muito bem organizados, para evitar sobrelotação do espaço e, por outro lado, não há tempos de espera prolongados”, garante.

O segredo está assim na organização, no acolhimento por parte de todos os profissionais – incluindo o próprio segurança, que já conhece os utentes –, mas também na população em si. “Estamos numa zona de classe média, média alta ou alta, onde as pessoas têm um bom nível de literacia em saúde e estão tradicionalmente habituadas a recorrer ao setor privado”, refere Clara Fonseca.

Cursos pré e pós-parto e massagens a bebés fidelizam utentes


Uma das formas de fidelizar a população passa pela oferta de cuidados na gravidez e neonatais. “A equipa da Enfermagem organiza cursos pré e pós-parto, assim como de massagem para bebés, o que leva os utentes a conhecer melhor a nossa unidade e a ganhar confiança na equipa profissional”, afirma Clara Fonseca, garantindo que o sucesso da USF Garcia de Orta está na equipa:

“Temos uma equipa de profissionais que acreditam no projeto, esperaram pelo mesmo durante alguns anos e dedicam-se com paixão ao que fazem.” Exemplo disso é o facto de “as enfermeiras oferecerem estes cursos no seu horário laboral, não existindo qualquer carteira adicional, ou algum tipo de incentivo.”

USF Garcia de Orta com participação ativa no Fórum de Dermatologia



Segundo Clara Fonseca, coordenadora da USF Garcia de Orta (Porto), “se alguns casos clínicos de doenças dermatológicas são resolvidos facilmente pelo médico de MGF, outros exigem o olho clínico de um dermatologista”.

Nesse contexto, a responsável refere que, este ano, o Fórum de Dermatologia, organizado pelo Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar do Porto, e agendado para os dias 25 e 26 de novembro, conta, mais uma vez, com a participação da USF Garcia de Orta, como representante dos cuidados de saúde primários”.

Na sessão dedicada à apresentação e discussão de Casos Clínicos, “tanto a USF Garcia de Orta como os colegas dermatologistas vão partilhar casos clínicos, bem concretos, permitindo trocar experiências, esclarecer dúvidas e reforçar o contacto já existente entre a USF Garcia de Orta e o Serviço de Dermatologia do Hospital de Santo António, Centro Hospitalar do Porto (HSA-CHP)”.



A médica de família explica que, “habitualmente, este tipo de patologias chega aos consultórios dos CSP num estádio muito inicial, o que pode dificultar o diagnóstico diferencial correto”. Contudo, e uma vez que, “felizmente, a relação entre a USF Garcia de Orta e o Serviço de Dermatologia do HSA-CHP não podia ser melhor”, o trabalho dos médicos e a saúde dos utentes saem beneficiados.

A coordenadora da USF Garcia de Orta adianta que, "sempre que se tem alguma dúvida -- por exemplo, nalguns nevos não é fácil perceber se existe alguma malignidade –, os médicos da USF podem contactar com o Serviço de Dermatologia através de teledermatologia. O uso da imagem, com boa resolução, permite aos colegas do hospital orientar a situação. Por vezes, são casos clínicos que acabam por ser resolvidos nos CSP, após esse apoio de um dermatologista".

E acrescenta que a teledermatologia também é uma ferramenta "muito importante quando fazemos a referenciação à consulta, pois, enviamos, juntamente com a história clínica, uma imagem da lesão existente. Desta forma, os colegas têm uma informação mais completa, que lhes permite uma triagem mais adequada em relação ao tempo para marcação da consulta."



A médica de família salienta que a MGF não precisa referenciar todos os casos clínicos, referindo que "existem, de facto, doenças dermatológicas que, a priori, exigem um acompanhamento contínuo por um dermatologista, devido à sua complexidade e cronicidade”.


No entanto, “muitas vezes, o médico de MGF tem conhecimentos e competências para tratar vários casos clínicos. Exemplo disso são a acne, a rosácea, o eczema atópico, as infeções fúngicas, bacterianas, víricas e parasitárias, a dermatite seborreica e a urticária".

Em jeito de conclusão, Clara Fonseca refere que, “para bem dos utentes do SNS, é fundamental apostar na excelente articulação entre os diferentes níveis de cuidados de saúde, para que, sempre que exista alguma dúvida ou surja um caso urgente, o médico de família possa contar com o apoio dos serviços hospitalares na correta e atempada orientação dos doentes".




Na edição de novembro do Jornal Médico pode ser lida a reportagem completa sobre a USF Garcia de Orta, com testemunhos de utentes, declarações também de outros profissionais da USF e onde a coordenadora da unidade desenvolve outros temas.

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