Dor crónica: projeto inovador da USF Lethes (Ponte de Lima) devolve qualidade de vida aos utentes

A dor crónica limita e condiciona muito o bem-estar físico e psicológico de qualquer pessoa e, consequentemente, a sua forma de estar na vida. Nesse sentido, a Unidade de Saúde Familiar (USF) Lethes, em Ponte de Lima, criou, em 2015, uma consulta de dor crónica em cuidados de saúde primários, com a finalidade de dar um melhor apoio assistencial aos seus utentes, ajudando-os neste aspeto.

Coordenada pelo médico de família Raul Marques Pereira, esta iniciativa inovadora foi levada a cabo, especificamente, para delinear estratégias de tratamento de doentes com dor não controlada e incapacitante, que apresentam grande limitação na sua qualidade de vida.


O especialista salienta que o projeto "tem reconhecimento internacional", tendo sido selecionado para apresentação oral no Congresso Mundial de Medicina Geral e Familiar - WONCA 2016, que decorreu em novembro, e conta com uma taxa de cerca de 80% de melhoria na escala da dor.




Em entrevista à Just News, que será publicada no Jornal Médico, no âmbito de uma reportagem sobre a USF Lethes, Raul Marques Pereira recorda que o seu interesse pelo tema da dor surgiu no início da sua carreira, numa altura em que começou a trabalhar também no internamento de uma unidade de cuidados continuados, com doentes idosos polimedicados, com dor.


“Fazia-me muita confusão que dessem alta aos doentes que estavam estabilizados das suas patologias, mas que não tinham a dor controlada”, lembra.

Consulta permite que "o doente tenha qualidade de vida"

Nesta consulta, feita e coordenada por Raul Marques Pereira, são seguidos essencialmente doentes com patologia osteoarticular, com dor neuropática pela diabetes, com doença reumática e uma minoria de doentes oncológicos. A média de idades ronda os 70 anos.


“A dor crónica muda as pessoas e temos muitos doentes com quadros de depressão e de ansiedade associados. São indivíduos que sofrem todos os dias e isso é algo que me preocupa. Considero que a primeira função do médico de família é dar qualidade de vida às pessoas e ajudar para que tenham um dia-a-dia normal”, afirma Raul Marques Pereira, esclarecendo que, normalmente, consegue-se com esta consulta que, ao fim de cerca de três meses, o doente tenha qualidade de vida.

 
Equipa da USF Lethes.

Dor não pode ser descurada pelos médicos

 

O coordenador da Consulta de Dor da USF Lethes observa que, apesar dos profissionais de saúde estarem cada vez mais consciencializados para a importância de tratar a dor, esta é ainda muito descurada.

Acredita que o facto de se ter criado naquela unidade uma consulta específica para tratamento deste sintoma faz com que os médicos da zona estejam mais conscientes e se lembrem de que é essencial intervir.



“A dor tem de ser perguntada pelo médico, que deve tentar percebê-la e caracterizá-la. Se algumas dores não são de valorizar, outras mudam totalmente a vida das pessoas e isso é preocupante”, alerta Raul Marques Pereira.

Afirmando-se “um pouco contracorrente”, defende considerar que o futuro dos cuidados de saúde primários passa, também, pela subespecialização. Acredita que, desta forma, será possível dar um melhor acompanhamento aos utentes. Seguindo, atualmente, cerca de 100 doentes/ano, não tem dúvidas de que os ganhos em saúde são muitos e tem como objetivo próximo expandir a consulta a todas as unidades do concelho de Ponte de Lima.

 

Consulta da Dor: uma mais-valia para os utentes

 

Cecília Abreu, coordenadora da USF Lethes, considera que esta consulta é, sem dúvida, uma mais-valia para os utentes da unidade. “A dor é incapacitante, funcional e psicologicamente, e torna as pessoas muito suscetíveis. Era, obviamente, uma área em que tínhamos de investir”, observa.

Todos os médicos devem tratar esta entidade na sua consulta normal de Medicina Geral e Familiar. Contudo, quando a mesma passa para um nível superior, não é possível, em 15 minutos, consultar o doente no seu todo e ainda dedicar tempo a este sintoma.



“A nossa população é envelhecida, dependente e sentimos que da parte hospitalar, muitas vezes, não há a resposta próxima de que se necessita. Além disso, as pessoas sentem-se muito perdidas por terem de se dirigir ao hospital”, indica. E acrescenta: “A dor é um sintoma emocional que nos alerta e nos incapacita.”

 



A reportagem completa sobre a USF Lethes pode ser lida na próxima edição do Jornal Médico.

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