XXX Jornadas de Cardiologia assinaladas por «uma mudança de geração organizacional»

As XXX Jornadas de Cardiologia do Sul e Regiões Autónomas, que estão a decorrer em Almada, de 15 a 18 de outubro, assinalam, este ano, 30 anos. Para Carlos Catarino, diretor clínico do Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada (ICPA - Almada) e presidente das Jornadas, "estamos perante uma mudança de geração organizacional".

Em entrevista à Just News, publicada no Jornal das XXX Jornadas de Cardiologia do Sul e Regiões Autónomas, o responsável explica o significado desta 30ª edição:

"Fui escolhido para presidir a estas Jornadas e, perante esta nova geração, fazia todo o sentido homenagear os “pais” deste evento, que sempre marcou a Cardiologia em Portugal. É uma forma de agradecer a quem conseguiu pôr em prática uma iniciativa que reúne cardiologistas, médicos de Medicina Geral e Familiar, médicos de Medicina Interna e internos e que permitiu chamar a atenção para o trabalho desenvolvido nos hospitais distritais."

Além das temáticas centradas na especialidade, a reunião inclui uma homenagem aos “pais” do evento e tem como tema central “Melhores cuidados, menores custos”.



O doente "no centro das nossas preocupações"

Entre vários outros temas abordados na entrevista, e questionado sobre o motivo por que nas jornadas deste ano foram também convidados grandes hospitais, Carlos Catarino afirma que "a realidade que se vive nestas unidades é completamente diferente da dos hospitais mais pequenos e periféricos." 

O presidento do evento considera que "é preciso partilhar também estas realidades, no sentido de todos sairmos enriquecidos destas Jornadas, para o bem do doente, que deve estar no centro das nossas preocupações. Acredito que vai ser uma partilha de ideias muito enriquecedora."



“Sempre quis ser médico cardiologista”

Carlos Catarino foi cardiologista durante 33 anos em grandes hospitais até que chegou a oportunidade de ser diretor clínico do ICPA. Agarrou o desafio “com muita vontade e empenho, com a mesma paixão que sempre sentiu pela Medicina e pela Cardiologia”.

Licenciado em Medicina pela FMUL, especializou-se em Cardiologia no Hospital de Santa Marta, CHLC. “Sempre quis ser médico cardiologista!” Uma ideia que pôs em prática e que o levou a ser também administrador voluntário na Fundação Portuguesa de Cardiologia. “Um médico deve empenhar-se em causas sociais e é com muito gosto que participo nas iniciativas de educação para a saúde, que envolvem escolas e autarquias, entre outras entidades.”

Para Carlos Catarino, nunca é demais fazer educação para a saúde. “As pessoas sabem o que devem fazer para ter um estilo de vida saudável, na maioria dos casos, mas é preciso insistir, para porem em prática os seus conhecimentos.”

O que mais o atrai na sua profissão é o contacto com os doentes. “Gosto muito de conversar. Infelizmente, existe cada vez menos tempo para a história clínica, mas é preciso não descurar esta técnica. Quantas vezes chegam pessoas ao consultório, principalmente desde o início da crise, que se sentem logo melhor do coração apenas porque puderam conversar e desabafar…”

Além de médico, é administrador da Fundação Portuguesa de Cardiologia e presidente da Assembleia de Freguesia de Silvares, no Fundão. “É uma atividade cívica, que me permite fazer mais por aquela região tão bonita.”


Nos tempos livres, gosta de ler, de cinema, de ir ao teatro e a outros espetáculos de arte. Interessa-se pela Política e gosta de estar atento às notícias, para saber o que se passa no país e no resto do mundo. Quanto a desafios futuros, diz que prefere “não sonhar, pois, o futuro logo lhe dirá o que tem a fazer.”

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