Opinião

Como pode o técnico de Cardiopneumologia ajudar no diagnóstico e controlo da asma

Tiago Jacinto

Investigador e docente da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto. CINTESIS, FMUP

A avaliação da função respiratória é fundamental no diagnóstico e controlo da asma. A sua utilidade tem sido demonstrada ao longo de décadas de investigação, reforçando a necessidade de se objetivarem as alterações no sistema respiratório que decorrem da fisiopatologia da asma, principalmente a obstrução brônquica, a resposta a broncodilatadores inalados e a hiperreatividade e inflamação brônquicas.

Os técnicos de Cardiopneumologia são os profissionais habilitados à realização destas avaliações, proporcionando uma garantia de qualidade na sua execução. Na sua maioria, são exames simples, rápidos e não-invasivos, mas carecem de colaboração adequada por parte do doente, bem como da certificação de critérios de aceitabilidade e repetibilidade durante os procedimentos.

O cumprimento destes critérios é um pilar essencial na realização de provas de função respiratória, e que asseguram que os resultados obtidos são os mais válidos e o mais próximo da verdade possível.

Realça-se a importância da espirometria, como exame basal na avaliação de um doente com asma, que, apesar de ser um procedimento relativamente simples, fornece informação abrangente do funcionamento do sistema respiratório, permitindo objetivar a função pulmonar, que é reconhecida como difícil de avaliar apenas com critérios subjetivos, tendo em conta a baixa perceção da doença que usualmente os doentes têm.



Ainda é muito importante estudar a resposta a fármacos broncodilatadores, através da realização de uma prova de broncodilatação, que nos dá uma visão útil sobre a possível reversibilidade da obstrução e que é uma condição muito relevante para o diagnóstico diferencial de asma e para a monitorização longitudinal da sua evolução.

Mais recentemente, tem surgido como ponto adicional no estudo da função respiratória na asma a avaliação não invasiva da inflamação brônquica, sendo que a técnica mais validada é a medição da fração exalada de óxido nítrico que, também auxiliando o diagnóstico, permite, por exemplo, identificar indivíduos com maior probabilidade de resposta positiva a corticoterapia inalada.

Numa última nota, chama-se a atenção à educação para a saúde que pode ser prestada; na explicação ao doente de como os exames funcionam, o que medem e porque são importantes para o controlo da doença e, posteriormente, na sensibilização para a utilização adequada dos dispositivos inalatórios, não só no que ao seu funcionamento diz respeito, mas também verificando, por exemplo, qual a frequência de utilização de medicação de alívio rápido do doente, podendo este ser um primeiro passo para a deteção de perda de controlo da doença.

Os técnicos de Cardiopneumologia desempenham um papel importante na avaliação e acompanhamento da asma, sempre integrados numa equipa multidisciplinar e sempre com o objetivo de melhorar e evoluir os cuidados de saúde prestados a estes doentes.



Artigo publicado na edição de junho do Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Primários, no âmbito de um Especial sobre o projeto CAPA - Cuidados Adequados à Pessoa com Asma.

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