APAH defende conceito de «hospital aberto à comunidade»

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) criticou a chamada “visão hospitalocêntrica do sistema” e apelou ao conceito de “hospital aberto à comunidade”. A esse respeito, Alexandre Lourenço aproveitou para elogiar o modelo de funcionamento da ULS Matosinhos, que nesse dia, 15 de março, acolhia mais uma sessão da iniciativa “Caminho dos Hospitais”, promovida pela própria APAH.

A assistência que encheu o auditório do Hospital Pedro Hispano (HPH), que integra a Unidade Local de Saúde de Matosinhos, foi recebida por Victor Herdeiro, presidente do CA da ULSM, por Pimenta Marinho, presidente da ARS Porto, e também por Alexandre Lourenço.


Victor Herdeiro, Alexandre Lourenço e Pimenta Marinho.
 
A organização em departamentos “é o melhor regime administrativo para um hospital”

O dirigente da APAH haveria depois de assumir o papel de dinamizador da sessão que incluiu uma conferência proferida pelo cardiologista Damião Cunha, que dissertou sobre a experiência de duas décadas do HPH em termos de integração de cuidados. Para este médico, a organização em departamentos, que caracteriza aquela unidade, “é o melhor regime administrativo para um hospital” e isso também “veio favorecer a segunda fase da integração com os cuidados de saúde na periferia”.



“O doente está em primeiro lugar"

Para além de Taveira Gomes, diretor clínico da ULSM, também Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, foi convidado a comentar o tema da intervenção de Damião Cunha, deixando claro que “o doente está em primeiro lugar e protegê-lo é saber aquilo que nós podemos e devemos fazer e quais são as responsabilidades que, de facto, ele pode acatar aos diversos profissionais de saúde”.



Dar informação ao doente para "poder decidir onde quer ser tratado"

Alertando que “a falta de tempo para falar, para fazer a história clínica, para explicar aquilo que se vai fazer está a destruir por dentro a relação médico-doente”, Miguel Guimarães lembrou que “o acesso aos cuidados de saúde é um fator fundamental de qualidade”.

“Se não damos informação ao doente não lhe estamos a dar o poder que ele deve ter para poder decidir onde quer ser tratado. Falar em liberdade de escolha no Serviço Nacional de Saúde sem este pressuposto é falso. Não funciona. A liberdade de escolha acaba por não ser verdadeira, porque o doente não tem a informação necessária”, afirmou.



Os gestores são “todos os que têm funções de liderança"

“O nosso sistema tem de evoluir”, disse o bastonário da OM. “Tem de evoluir no sentido de as unidades de saúde, e nomeadamente os hospitais, começarem a publicar os resultados daquilo que fazem.”

O presidente da APAH afirmou estar “totalmente de acordo” com Miguel Guimarães quanto a exigir-se “uma avaliação transparente do trabalho que é feito”. E acrescentou: “O único critério de avaliação da gestão hospitalar e da qualidade dos gestores prende-se com os resultados em saúde.” E especificou que os gestores são os administradores hospitalares, os médicos, os enfermeiros, os técnicos superiores de saúde e “todos os que têm funções de liderança nas nossas organizações”.

“Creio que o ministro da saúde tem dado nota disso e tem tido vontade de implementar os contratos de gestão nos conselhos de administração, exigindo uma comissão de avaliação independente desses contratos de gestão, e isso é um passo em frente para assegurarmos uma forma de avaliação transparente”, salientou Alexandre Lourenço.

Uma "qualificação de gestão em saúde" abrangente

Defendendo que é preciso “garantir experiência e formação para todos”, sejam administradores hospitalares ou outros profissionais com funções de gestão, aquele responsável referiu: “Devemos exigir qualidade nas lideranças e transparência no seu recrutamento.”

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares foi ainda mais longe, deixando claro que “a formação e a qualificação de gestão em saúde também passa por todos os gestores dos cuidados de saúde primários e até dos cuidados continuados”, contrariando “a visão hospitalocêntrica do sistema”.

O projeto “Caminho dos Hospitais”, que arrancou no final de setembro, com um debate promovido pela APAH no Hospital do Espírito Santo de Évora, já incluiu também no seu roteiro o Centro Hospitalar Cova da Beira (novembro), o Centro Hospitalar e Universitário do Porto (dezembro) e o Centro Hospitalar Lisboa Norte (fevereiro).


Conselho de Administração da ULS Matosinhos: Beatriz Duarte Borges (vogal), Victor Herdeiro (presidente), Taveira Gomes (diretor clínico), Teresa Fernandes (vogal) e Margarida Filipe (enfermeira diretora).

Proximidade entre cuidados de saúde "é absolutamente fundamental"

Relativamente à Unidade Local de Saúde de Matosinhos, a ULS mais antiga no nosso país, ficam registadas as palavras finais do seu diretor clínico, o cirurgião Taveira Gomes: “Aqui, faltam-nos alguns profissionais médicos e enfermeiros, assistentes operacionais, técnicos… Não sei se nos faltam gestores, mas eu não dispensaria aqueles que temos.”

Palavras que só vieram confirmar o que momentos antes afirmara Miguel Guimarães: “A ULS de Matosinhos é um exemplo que tem servido a muitos outros hospitais e ULS que foram criadas, porque a relação de proximidade entre os cuidados de saúde primários e os hospitais é absolutamente fundamental.”

Acompanhar "o percurso do doente"

“Perde-se muita coisa porque não se segue o percurso do doente, multiplicam-se exames complementares de diagnóstico, etc. E o doente acaba por perder tempo, por exemplo, em consultas de que não precisava”, lamentou o bastonário da OM, concluindo que “é possível haver uma integração de cuidados que se centre no doente e que sirva o doente".

Alexandre Lourenço, Taveira Gomes, Victor Herdeiro, Margarida Filipe, Damião Cunha, Cristina Gavina (diretora do Departamento Médico da ULSM), Artur Osório (primeiro presidente do Conselho de Administração do Hospital Pedro Hispano) e Miguel Guimarães.



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