Carlos Robalo Cordeiro na 2.ª volta da eleição para secretário-geral da Sociedade Europeia Respiratória

O especialista em Pneumologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Carlos Robalo Cordeiro, passou à segunda volta das eleições para secretário-geral da Sociedade Europeia Respiratória (ERS - European Respiratory Society), juntamente com o médico inglês Andrew Bush, especialista em pediatria respiratória. Está agora bem posicionado para ascender a um cargo que nunca foi ocupado por um português. À Just News, revela que aceitou o desafio para melhor servir a comunidade portuguesa.

“Eu não me candidatei, candidataram-me! O meu nome foi proposto por um comité de nomeação. Refleti, falei com muitas pessoas, incluindo com a família. Convenceram-me de que esta é uma oportunidade que não passa duas vezes. Mais do que o meu gosto ou a minha ambição pessoal, aceitei porque entendo que é também um serviço à comunidade portuguesa”, afirma Carlos Robalo Cordeiro, que na primeira volta venceu Joanna Chorostowska, diretora do National Institute of Tuberculosis & Lung Diseases de Varsóvia. A segunda volta termina a 5 de agosto.

A escolha do especialista português para disputar a eleição para secretário-geral da ERS decorre, em grande medida, da projeção internacional que a própria Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) tem tido e que Carlos Robalo Cordeiro lidera há seis anos. Mas o pneumologista de Coimbra já exerceu diversos cargos na Sociedade Europeia Respiratória que lhe granjearam prestígio e notoriedade, entre eles o de secretário e chairman do grupo científico “Diffuse Parenchymal Lung Disease”.



Nos últimos anos, fruto de uma estratégia da ERS de captar sócios pelo mundo, foram também assinados diversos protocolos de cooperação com a SPP, estreitando a relação entre estes dois organismos. “Portugal e Espanha foram os primeiros países com que a ERS se reuniu. Têm sido boas portas de entrada para outras realidades geográficas, como o Brasil e a América Latina”, refere o médico.

Se Carlos Robalo Cordeiro for o candidato mais votado, tomará posse no próximo congresso da Sociedade Europeia Respiratória, marcado para setembro, em Amesterdão, na Holanda. Segundo os estatutos, ficará como observador no primeiro ano, para se inteirar dos dossiês e acompanhar o secretário-geral cessante nas tarefas mais importantes. Só depois, no congresso de 2016, que terá lugar no Reino Unido, iniciará um mandato de três anos.

Reconhece, no entanto, que, se vencer a eleição, terá uma missão árdua pela frente. Já terá terminado o segundo e último mandato como presidente da SPP, mas, estando num país periférico como Portugal, terá, muitas vezes, que viajar de véspera para participar em reuniões executivas da ERS.

Além da eleição para secretário-geral, está a decorrer a votação para os cargos de tesoureiro e chefe do Conselho Científico, onde também só votam os membros do Council, um órgão abrangente da ERS composto por 126 pessoas e que integra membros de vários outros órgãos, entre os quais o Comité Executivo.

Carlos Robalo Cordeiro nasceu a 20 de agosto de 1958, em Coimbra, onde ainda reside. Seguiu as pegadas do pai, médico e professor catedrático e que, curiosamente, foi, até hoje, o único português a assumir (nos anos 80) um lugar no Comité Executivo de uma das duas sociedades internacionais cuja fusão deu origem à ERS, fundada em 1990.

É professor e coordenador do Centro de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pneumologista do CHUC, além de desempenhar o cargo de presidente da SPP desde 2010. É ainda membro eleito da Comissão Executiva da World Association of Sarcoidosis and other Granulomatous Disorders e foi membro do Council da ERS.

Em 2011, Carlos Robalo Cordeiro recebeu o galardão de Personalidade do Ano pela Fundação Portuguesa do Pulmão, por uma carreira dedicada ao ensino, à prática clínica e à proteção da saúde respiratória.

Casado há mais de 20 anos com uma médica, a dermatologista Margarida Robalo Cordeiro, e pai de duas filhas, confessa que o apoio da família foi fundamental para aceitar o desafio de disputar esta eleição.

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