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Zebras e cavalos em Pediatria: «Temos condições para tratar todas as crianças em segurança»

Dirigido principalmente a pediatras, mas aberto a toda a comunidade científica, está a decorrer entre esta sexta-feira e sábado, o Congresso de Pediatria do Grupo Luz Saúde, no auditório do Hospital da Luz Lisboa (HLL).

“Zebras e cavalos em pediatria” foi o tema da sessão de abertura. "É o mote que pretendemos para todo o congresso: a incessante procura pela perfeição, olhando cada doente como um só e como alguém muito especial que merece a nossa atenção”, começa por referir João Farela Neves, diretor do Departamento de Pediatria do HLL e presidente deste Congresso.

O objetivo foi “desmistificar e desmontar a frase clássica do ensino médico ‘When you hear hoofbeats, think of horses, not zebras’, que nos guia para os diagnósticos mais frequentes, evitando gastar recursos e tempo na procura de diagnósticos improváveis”.

João Farela Neves diz acreditar que “o ponto primordial para garantir a adequada prestação de cuidados às crianças é o conhecimento abrangente, que permita identificar facilmente os cavalos, mas sem nunca deixar de reconhecer as zebras, neste caso, as crianças com doenças raras”. E lembra ainda: “O diagnóstico precoce permite mudar vidas.”


João Farela Neves

Em declarações à Just News, o pediatra valorizou o facto de o departamento que dirige ser “o único, a nível das instituições privadas, a tratar crianças infetadas pela covid-19”. Como realça, “acreditamos que devemos receber todas as crianças que nos procurem, porque temos condições técnicas e arquitetónicas que nos permitem tratá-las em segurança e com toda a qualidade”.

Até ao momento, destaca terem prestado cuidados a recém-nascidos, pequenos lactentes e crianças e adolescentes internados com covid-19, tendo tido, inclusivamente, doentes ventilados invasivamente.

Sendo o tema central deste Congresso “Pediatria: Quo Vadis”, o presidente do Congresso explica que o objetivo deste encontro passa por “analisar o que aconteceu aos serviços de Pediatria, o que se seguirá depois desta pandemia, e, seguros do peso da doença crónica na pediatria do futuro, abordar o diagnóstico de doenças raras e a terapêutica de precisão”.




Programa transversal contempla sessão sobre influencers

A comissão organizadora deste Congresso, formada por cinco pediatras do Departamento, procurou convidar “destacadas figuras da Pediatria em Portugal, independentemente de exercerem a sua atividade em instituições públicas ou privadas”.

Pretendendo, simultaneamente, “retratar a multidisciplinaridade do Departamento, que é feito também dos contributos de diferentes áreas”, as cinco médicas falam ainda num “painel científico diversificado” e na abordagem de “temas transversais à idade pediátrica, desde o período neonatal até à adolescência, não esquecendo o mundo da saúde mental”.




Entre sessões que visam a abordagem de vírus, da doença meningocócica, da neonatologia, da imunologia ou dos cuidados intensivos, destaque ainda para uma sessão que versa sobre os influencers e o papel do pediatra. Cientes da preponderância deste fenómeno na atualidade, João Farela Neves sublinha a importância de debater o tema, “até pela necessidade premente de garantir que os influencers influenciam bem”.

Definindo-a como “uma zona cinzenta, onde, muitas vezes, pessoas sem formação condicionam a opinião de famílias inteiras”, entende necessário “chamar a palco influencers com formação científica que nos ajudem a compreender e a melhorar este aspeto”.



Também a comissão organizadora chama a atenção para a partilha de publicações “inspiradas, muitas vezes, pelas suas próprias vivências e experiências familiares, retratando a maternidade de uma forma real, mas também partilhando conteúdos pagos por marcas”.

Assim, é preciso levantar questões sobre “a forma como é regulamentada a parceria publicitária ou as publicações patrocinadas, o modo como é determinado o impacto ou a influência de um indivíduo, ou ainda as implicações éticas relacionadas com a exposição da imagem dos filhos nas redes sociais, o risco de sharenting e a privacidade das crianças”.


João Farela Neves com os elementos da Comissão Organizadora do Congresso de Pediatria: Ana Zagalo, Ana Isabel Cordeiro, Teresa Castro, Filipa Marques e Virgínia Machado

Simulação e endocrinologia em foco nos cursos pré-congresso


Sendo a simulação “uma das bandeiras do Departamento” e dispondo o HLL, segundo a comissão organizadora, do “maior centro de simulação clínica em Portugal, um centro de última geração que permite o treino da decisão médica com doentes virtuais, em ambiente de simulação de alta-fidelidade”, este recurso foi aproveitado para ser um dos cursos pré-congresso.

Desta forma, o Curso de Simulação de Urgências e Emergências em Pediatria foi “uma oportunidade de treino única, que foi ao encontro das necessidades de formação de quem trabalha em regime de urgência pediátrica”. Também o diretor do Departamento falou no “forte contributo deste curso para a melhoria do ensino pré e pós graduado, graças à existência de vários profissionais com treino intensivo em formação”.

A par, também a endocrinologia pediátrica foi alvo de atenção num outro curso pré-congresso, realizado também na quinta-feira, pela “impossibilidade de fugirmos do facto de que as doenças endocrinológicas, nomeadamente a diabetes, tiveram uma forte ascensão nos últimos anos, sendo fundamental contribuir para a formação na área”.


Os elementos da Comissão Organizadora numa das últimas reuniões de preparação do Congresso

Como a comissão organizadora esclarece, “este curso teve como objetivo promover a capacidade de diagnosticar atempadamente a doença endocrinológica em idade pediátrica, nomeadamente através da identificação de problemas que possam comprometer o normal crescimento e o desenvolvimento pubertário, ou outros ainda que passem pela patologia da tiroide e da supra-renal, ou pela obesidade”. 

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