Combater as infeções dentro e fora dos hospitais, «não esquecendo os idosos institucionalizados»

No ano em que celebra o seu 30.º aniversário, a Associação Portuguesa de Infeção Hospitalar (APIH) tem um novo presidente que a quer revitalizar. Um dos desafios é ajustar-se às mudanças que ocorreram no sistema de saúde e à necessidade de levar o controlo da infeção a lares e residências para pessoas institucionalizadas.

Em entrevista à Just News, Lúcio Meneses de Almeida, que tomou posse no final de junho, assegura: “Pretendemos revitalizar a Associação, voltando a estar com os sócios com quem fomos perdendo o contacto nos últimos anos e reforçando o papel que a APIH tem como parceiro importante na luta contra a infeção em Portugal." 

Intervir "nos vários níveis de cuidados"

O responsável, que é médico de Saúde Pública, realça ainda que a APIH terá pela frente “o desafio de, em continuidade com o trabalho desenvolvido pelos anteriores órgãos sociais, se ajustar, em termos organizacionais, às alterações do SNS e de todo o sistema de saúde nos últimos anos”.




Por outras palavras, Lúcio Meneses de Almeida, que integra o Departamento de Saúde Pública da ARS do Centro (ARSC) e é assistente convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, fala mais concretamente da "necessidade de se combater a infeção nos vários níveis de cuidados".

“De início, falava-se de infeção nosocomial, depois de infeção hospitalar e, mais recentemente, de infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS), porque este problema pode afetar os hospitais, mas também os CSP, os cuidados continuados integrados ou os cuidados domiciliários”, aponta.

E acrescenta: “As IACS também não podem ser esquecidas nas novas formas de prestação de cuidados de saúde, os chamados cuidados domiciliados – e não domiciliários –, ou seja, que são baseados, em termos de setting prestador, na casa do doente.”

Ainda no contexto destas mudanças, o especialista menciona a hospitalização domiciliária "e a tendência das pessoas quererem morrer, com dignidade e qualidade assistencial, em casa, junto da família".

De forma a "acompanhar este novo rumo da APIH", o presidente da APIH revela que, no decurso do próximo ano, estará disponível um site renovado, "como forma de se apostar na comunicação interna e externa".

"Não esquecer os idosos institucionalizados"

Como médico de Saúde Pública, Lúcio Meneses de Almeida faz um balanço do problema das IACS nos últimos anos, em Portugal: “O caminho faz-se caminhando e o nosso País tem evidenciado melhorias significativas, notando-se um esforço muito grande por parte dos organismos oficiais, com o Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA) e as várias equipas a nível regional e local.”



Contudo, como afirma, “ainda há muito por fazer, principalmente no que diz respeito às novas formas de prestar cuidados – hospitalização domiciliária, cuidados domiciliários e domiciliados, entre outros –, não esquecendo os idosos que estão institucionalizados”.

 "Informar, formar e concertar"

Se nos hospitais e nos cuidados primários existem equipas coordenadoras do PPCIRA e nos cuidados continuados responsáveis locais, em todas as situações a solução passa, no seu entender, por três pontos: “Informar, formar e concertar.”

Explicando cada um desses pontos, o presidente da APIH começa por referir ser preciso “informar a população e os operadores económicos e dirigentes que disponibilizam os recursos e garantem os meios". 

De seguida, destaca a necessidade de formar, "continuamente, os profissionais de saúde – médicos e enfermeiros, mas também técnicos e assistentes operacionais e administrativos, que são quem assegura o primeiro momento do contacto dos utentes com os serviços". Por último, alerta para a importância de "concertar esforços para que todos ´rememos` para o mesmo lado e com a mesma cadência, a fim de se obterem os melhores resultados”.

E dá um exemplo de como as medidas conjuntas podem conduzir à mudança de hábitos. “Veja-se o caso da gripe pandémica: ainda hoje se sabe a importância de se lavar as mãos, para o controlo de infeções como a gripe e também se vê muita gente – sobretudo os mais jovens – a tossir e a espirrar para o antebraço em vez de o fazerem para a mão.”

No caso desta pandemia, o médico, que integrou o Grupo Operativo da Estrutura da Gripe da Direção-Geral da Saúde (2006-2007), recorda que a informação e a formação não se cingiam apenas ao setor da saúde, mas também à sociedade em geral, destacando-se as iniciativas junto da comunidade escolar.



“Infeção: prevenção e controlo”

O primeiro momento, mais marcante, da nova Direção e restantes Órgãos Sociais será o Congresso do 30.º Aniversário da APIH. Sob o lema “Infeção: prevenção e controlo”, o evento realiza-se dia 15 de novembro, no Auditório António Arnaut da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra/Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra.

“Além da abordagem de questões científico-profissionais, o objetivo da iniciativa é ir ao encontro dos atuais e possíveis novos associados e, inevitavelmente, celebrar condignamente os 30 anos da APIH”, explica.

Um dos momentos relevantes do evento será a constituição de sócios honorários no encerramento. “Poderão ser sócios fundadores ou não, a ideia é distinguir pessoas ou instituições que se destacaram na prevenção e controlo da infeção, que é, de facto, um problema de Saúde Pública”, informa.

O Congresso tem início com uma Conferência intitulada "Controlo da infeção: passado e futuro", a ser proferida por Graça Freitas, diretora geral da Saúde.

Ao longo do dia serão abordadas questões como "o edifício de saúde e o controlo da infeção", o consumo de antibióticos e o "impacte da prescrição em saúde pública" e a importância das equipas multidisciplinares no controlo da infeção. O programa completo pode ser consultado aqui.



A entrevista completa pode ser lida no jornal Hospital Público de outubro.

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