Consulta de Enfermagem de Ostomia Respiratória é a «concretização de um desejo»

O Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV) inaugurou, dia 15 de novembro, uma consulta de apoio a doentes traqueostomizados e laringectomizados. A intervenção da equipa base de cinco enfermeiras inicia-se uma semana antes da cirurgia, em articulação com os médicos do Serviço de Otorrinolaringologia do CHEDV especificamente alocados a esta área.

O atendimento faz-se num dos gabinetes da Consulta Externa de ORL do Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, e representa, para a enfermeira chefe Madalena Amorim, “a concretização de um desejo” que permite, a partir de agora, “disponibilizar um melhor apoio a estes doentes”. Apoio esse que é multidisciplinar, uma vez que, para além da articulação com os otorrinolaringologistas, conta com a colaboração de um terapeuta da fala.

Segundo a enfermeira diretora do CHEDV, Sara Pereira, “esta consulta é muito importante porque permite oferecer uma melhoria na qualidade de cuidados prestados que nós, até agora, não tínhamos”. A proposta para a sua criação tinha sido apresentada ao Conselho de Administração pela enfermeira chefe do Serviço de ORL e pelo seu diretor, o médico Carlos Carvalho.

“Entenderam que era uma lacuna e, de facto, nem nós nem os cuidados de saúde primários desta zona tinham uma consulta dedicada à ostomia respiratória. Esta falta de acompanhamento obrigava muitas vezes os doentes a deslocarem-se ao Porto", explica aquela responsável.

Sara Pereira esclarece que “foi preciso criar todas as condições, nomeadamente em termos de espaço, e adquirir os dispositivos necessários”. O IPO de Coimbra e o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho mostraram às enfermeiras do CHEDV como funcionam as suas consultas nesta área.


Madalena Amorim, Cátia Melo, Alexandra Dias (Reabilitação de Otorrino, Oftalmologia e Urologia), Patrícia Soares, Sara Pereira, Carla Peralta e Maria Del Mar Sanchez 

A equipa de enfermagem é constituída pela enfermeira chefe do Serviço de ORL, Madalena Amorim, as enfermeiras responsáveis pela Consulta, Carla Peralta e Patrícia Soares, e duas colegas de apoio, Maria Del Mar Sanchez e Cátia Melo.

Criar um protocolo de seguimento

“Com esta consulta, temos tempo disponível para os doentes. Podemos explicar-lhes aquilo a que têm direito e contribuir para melhorar a sua qualidade de vida. Agora também estamos em condições de acompanhar mais os cuidadores, que muitas vezes sofrem tanto ou mais do que os próprios doentes”, refere Madalena Amorim.

A enfermeira está visivelmente satisfeita com a inauguração da consulta, mas vai avançando que a ideia é “vir a abranger toda a parte ventilatória dentro do hospital”, não ficando limitada à Otorrinolaringologia. Sendo simultaneamente enfermeira chefe do Serviço de Urologia do CHEDV, acrescenta que num futuro próximo se pretende vir a abranger igualmente a denominada ostomia de eliminação, que não existe no Hospital de São Sebastião.

Madalena Amorim sublinha que “não há muito conhecimento sobre os direitos que estes doentes têm em termos de prescrições e, por isso, é importante irem daqui já orientados”. Na verdade, “há uma série de dispositivos que melhoram a sua qualidade de vida e que a legislação permite que lhes sejam cedidos gratuitamente, através de uma prescrição que deve ser feita com controlo. O médico de família deverá depois fazer o seguimento desses doentes”.



O objetivo da Consulta de Enfermagem de Ostomia Respiratória é ter o primeiro contacto com o doente no pré-operatório. “Vem à consulta uma semana antes da cirurgia, fazemos a avaliação e preparamo-lo para aquilo a que vai ser sujeito, sem o assustar demasiado”, adianta a enfermeira chefe.

Uma semana depois acontece a consulta do pós-operatório, momento em que se verifica qual o dispositivo mais adequado e as enfermeiras conversam com o cuidador. “No internamento, o doente e o seu familiar são treinados num dispositivo que pode ser, eventualmente, temporário. Têm de saber mudar as cânulas interna e externa, para que em casa sejam independentes”, esclarece Madalena Amorim.

“Vamos estudar os nossos doentes para criar um protocolo de seguimento”, informa a enfermeira. De qualquer forma, “queremos que eles continuem a ir ao centro de saúde, porque muitas vezes são de longe e é importante terem essa retaguarda”.



30 a 35 casos por ano

De acordo com o responsável pela Unidade Cabeça e Pescoço, que integra o Serviço de ORL do CHEDV, no Hospital de São Sebastião registam-se entre 30 a 35 casos de estomas respiratórios por ano. Depois de ter estado durante quase 20 anos ligado ao IPO do Porto, o médico Carlos Pinheiro arrisca dizer que “não deverá haver nenhum outro hospital com esta dimensão que trate estes doentes”.


Carlos Pinheiro junto com enfermeiras da equipa e a enfermeira diretora do CHEDV

“Eles eram originalmente tratados em hospitais centrais do Porto e passaram a sê-lo aqui, o que criou esta necessidade de criar uma consulta com estas características”, explica o otorrinolaringologista, acrescentando:

“Trata-se de doentes normalmente muito carenciados do ponto de vista social e que não têm a possibilidade de ter este tipo de apoio nos cuidados de saúde primários, até porque são casos algo difíceis.”

“Regra geral, a doença que leva ao tratamento radical surge-nos numa fase já avançada. A ostomia respiratória é típica de doentes com condição socioeconómica mais desfavorável e menos literacia em saúde”, explica Carlos Pinheiro.




A notícia pode ser lida na edição de dezembro do Hospital Público.

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