Criação da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde «após 10 anos intensos de formação»

Dia 19 de janeiro 2022 marca "um dia muito especial para a Literacia em Saúde em Portugal", considera Cristina Vaz de Almeida, presidente da Direção da novíssima Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), agora formalmente criada.

A Just News teve oportunidade de acompanhar a assinatura da escritura, realizada num cartório de Lisboa, e de testemunhar a grande satisfação e alegria de seis das fundadoras da SPLS, um projeto que reúne dezenas de profissionais de todo o país.

Além de Cristina Vaz de Almeida, estiveram presentes Luísa Nogueira (presidente do Conselho Fiscal), Patrícia Martins e Susana Ramos (vice-presidentes da Direção), Ivone Correia Marques (presidente do Conselho de Ética) e Cecília Nunes (vice-presidente da Comissão de Ética).



Luísa Nogueira, Patrícia Martins, Ivone Correia Marques, Cristina Vaz de Almeida, Susana Ramos e Cecília Nunes

Em declarações à Just News, Cristina Vaz de Almeida começa por recordar o longo caminho percorrido: "Já há muitos anos que eu e um grupo de especialistas em literacia em saúde temos vindo a criar as boas bases nesta área, seja na vertente do cidadão, seja na capacitação dos profissionais das áreas da saúde, onde tenho essa especialidade."

Refere igualmente a importância do facto de "Portugal ter, desde 2016, um Programa Nacional para a Saúde, Literacia e Autocuidados".

Um projeto que resulta de 10 anos de trabalho 

Entre os 22 sócios fundadores da SPLS estão muitos profissionais de saúde de vários níveis de cuidados, mas também de outras áreas, incluindo da comunicação, e de várias regiões do país.

De acordo com Cristina Vaz de Almeida, para um novo projeto arrancar com este grau de diversidade terá sido imprescindível o trabalho desenvolvido, ao longo da última década, no âmbito da Pós-Graduação de Literacia em Saúde no ISPA. Esta continua a ser, aliás, "a única escola superior em Portugal que mantém, desde 2012, um curso de formação avançada em Literacia em Saúde".

Este curso, coordenado precisamente por Cristina Vaz de Almeida, foi depois transformado em Pós Graduação, em 2016: "Conta com um conjunto de docentes "que reúnem várias disciplinas, além da literacia em saúde, modelos, estratégias e intervenção, como comunicação em saúde, marketing em saúde, recursos e métricas, psicologia da saúde, mediação e gestão de conflitos, entrevista motivacional, persuasão, segurança do doente e criatividade".

Na sua opinião, não há qualquer dúvida: "É este conjunto de disciplinas que enriquece o conhecimento mais profundo da literacia em saúde, que se deseja aplicada na prática." Neste contexto, a criação da SPLS surge como um processo natural, "após um trabalho de campo desenvolvido por muitos profissionais ao longo de 10 anos intensos de estruturação e formação de literacia em saúde em portugal".


Cristina Vaz de Almeida

Literacia em saúde... na prática

A Pós-Graduação Literacia em Saúde na Prática tem, como o próprio nome indica, uma vertente muito prática. Cristina Vaz de Almeida adianta que, ao longo dos anos, quase todos os seus alunos evidenciaram ter um perfil proativo.

Trata-se de profissionais de Saúde que, conforme sublinha, "interessam-se por conseguir chegar mais perto do utente, fazerem-se compreender, melhorar o encontro terapêutico, comunicar melhor, facilitar o processo de adesão e, por isso, a grande parte destes profissionais vai desenvolvendo nas suas organizações, ou fora delas, projetos de literacia em saúde. É para isso que também criámos a SPLS, para dar visibilidade aos projetos destes profissionais e organizações."

Lamentando "não poder falar de todos", Cristina Vaz de Almeida dá alguns exemplos (práticos) de projetos de literacia em saúde desenvolvidos no contexto da Pós-Graduação do ISPA:

Dia Internacional da Literacia
O projeto de ebooks dedicado à literacia em saúde, promovido pelos enfermeiros Berta Augusto, Sérgio Abrunheiro e Carlos Fernandes, do Grupo de Literacia em Saúde do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).
Estes profissionais têm assinalado, ao longo dos anos, o Dia Internacional da Literacia com uma intervenção que visa promover o conhecimento e as boas práticas de literacia em saúde.

Viver + com saber
A enfermeira Patrícia Martins, da Unidade de Saúde Arco Ribeirinho, desenvolveu num projeto para idosos na comunidade "Viver + com saber" baseado nos princípios da literacia em saúde e nas suas dimensões de acesso, compreensão e uso da informação necessária à sua melhor saúde e autocuidado. Usou o Modelo ACP – Assertividade, Clareza e Positividade na Comunicação (Vaz de Almeida, 2018) e estratégias associadas que motivam a participação e adesão ao projeto dos mais velhos.

Saúde mental nas escolas
A enfermeira Tânia Morgado, em Coimbra, está a terminar o doutoramento em Literacia em Saúde Mental, com um projeto que permite aos alunos um melhor acesso à informação sobre a saúde mental, compreensão dos termos e dos sintomas e uso dos serviços, num processo dinâmico e colaborativo com as escolas.

A mala das grávidas e as quedas nos idosos
O médico Diogo Franco Santos desenvolveu um projeto de adaptação de folhetos para grávidas do último trimestre e idosos em que, através de uma linguagem assertiva, clara e positiva (Modelo ACP), se explicam os passos e as ações que estes públicos devem ter nas diferentes situações.
No caso das grávidas, a “mala” e os objetos que devem preparar antes de irem para a maternidade, assim como os idosos devem fazer para prevenir as quedas, tão comuns a partir dos 65 anos.

Formar e inspirar mais de 5000 profissionais de saúde

O percurso de Cristina Vaz de Almeida passa também, desde há muitos anos, pela formação avançada em organizações de saúde e o resultado é claramente animador: "Estou, de facto, muito satisfeita por ver cada vez mais organizações preocupadas em aplicar a literacia em saúde nas práticas diárias, na comunicação entre profissionais de saúde e na relação com os utentes."

Desde 2012 que pela formação avançada do ISPA "passaram mais de 300 profissionais em cursos feitos anualmente". Contudo, a formação avançada em literacia em saúde, ministrada por Cristina Vaz de Almeida nas organizações de saúde, assim como as inúmeras intervenções em várias conferências, abrange um considerável leque de pessoas. "Esse número deve ultrapassar, nesta altura, mais de 5000 profissionais de saúde", reconhece a investigadora e especialista em literacia em saúde.

Investir na literacia em Saúde “salva vidas"

Quanto ao futuro, o caminho está bem delineado, segundo Cristina Vaz de Almeida: "Vamos continuar a trabalhar para divulgar, apoiar e impulsionar mais ainda os projetos de literacia em saúde no nosso país. É isso que temos feito. Os sócios fundadores da SPLS são pessoas brilhantes e sei que faremos um bom trabalho, em prol de melhores resultados em saúde, pois, é disso que se trata."

A presidente da SPLS acrescenta ainda: "Contamos com as parcerias de  autoridades sanitárias (DGS), de unidades de saúde, de organizações não governamentais como as associações de doentes, de municípios, escolas, entidades do setor social e outras, que cada vez mais compreendem a importância do investimento na literacia em saúde que efetivamente ´salva-vidas`."

E quem pode integrar e colaborar nas ações da SPLS? "Os que se interessarem pela literacia em saúde em Portugal e possam trazer algum contributo, fazendo crescer este grupo que já é efetivamente grande. Todos serão muito bem vindos", assegura Cristina Vaz de Almeida. 

Pode conhecer AQUI quem são os 22 sócios fundadores da SPLS, assim como as atribuições e competências deste novo projeto.

Contacto: splsportugal@gmail.com 

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