«Eu sou muito defensora do conceito de Hospital de Dia porque damos tempo de qualidade aos doentes»
Podia pensar-se que Raquel Pinho fosse algarvia, mas não é, nasceu em Espinho, há 44 anos. Chegou ao sul do país em 2007, para fazer o internato do Ano Comum no Hospital de Portimão, depois de concluir o curso de Medicina, que a levou até Salamanca, em Espanha. Nunca mais saiu desta unidade hospitalar, que tem sido o seu local de trabalho há praticamente 20 anos. Integra a Comissão Organizadora do 32.º Congresso Nacional de Medicina Interna (CNMI).
“Todo o meu internato foi feito com uma enorme ligação ao VIH, uma área apaixonante para mim!” Raquel Pinho deixa logo bem claro o seu interesse por tudo o que tenha a ver com o vírus da imunodeficiência humana. E fica assim justificada a razão pela qual acabou por assumir formalmente, em 2023, a coordenação da Unidade de Imunodeficiência, criada neste hospital, na altura como Consulta, em 1993.
Raquel Pinho: “Sempre achei que para lidar com o VIH teria que ser especialista de MI.”
O VIH já lhe tinha chamado a atenção durante a faculdade, mas foi em Portimão que essa atração se transformou em certeza. Carlos Santos, o fundador da Consulta, foi o médico com quem deu os primeiros passos ao chegar ao Ano Comum e que a acompanhou ao longo de todo o internato, deixando uma marca profunda na sua forma de encarar a especialidade. Aliás, no momento de a escolher, ao ter que optar entre vir a ser infeciologista ou internista, não hesitou muito:
“Sempre achei que para lidar com o VIH teria que ser especialista de MI porque, vivendo os doentes cada vez mais com a infeção, eu precisava de entender a diabetes, a hipertensão e toda uma série de patologias. E só um internista teria capacidade para acompanhar de forma holística as pessoas com VIH.”
Esta área haveria depois de ser coordenada, a partir de 2015, por Domitília Faria, a médica que, desde o internato, foi a sua tutora e uma referência que diz ter sido “determinante” no seu percurso profissional.
"Foi com ela que verdadeiramente cresci como internista e a quem devo muito do que sou hoje como médica", reconhece Raquel Pinho. Ausentando-se em 2022, por motivos de saúde, aquela médica deixou a coordenação da Consulta de VIH nas mãos de Raquel Pinho, situação que acabaria por ser formalizada no ano seguinte, na sequência da sua reforma.
Nessa altura, a nossa entrevistada ficou também com a coordenação do Hospital de Dia de Medicina, onde são atendidos todos os doentes que necessitam -- com as mais diversas patologias -- e que são acompanhados nas próprias consultas externas que são asseguradas pela MI, cujos gabinetes ficam na mesma zona. A exceção é a Consulta e Hospital de Dia de Diabetes, que não se situa exatamente no mesmo local e tem um responsável próprio.
Raquel Pinho faz questão de destacar o papel da enfermagem no funcionamento do Hospital de Dia, em especial de Manuela Simão, “que é de uma dedicação extrema, de uma pró-atividade sem igual”, e que ali trabalha desde a sua inauguração, que aconteceu em março de 2009.
“Eu sou muito defensora do conceito de Hospital de Dia porque damos tempo de qualidade aos doentes, desde logo porque encurtamos e evitamos internamentos”, frisa.
Voltando à Unidade de Imunodeficiência, a sua coordenadora sublinha não haver lista de espera para a Consulta de VIH. O mesmo se verifica na Consulta de PrPE (Profilaxia Pré-Exposição), com um tempo de espera que não ultrapassa os 30 dias -- um contraste assinalável com outros pontos do país, onde os utentes interessados nesta última consulta poderão ter que esperar mais de um ano pela mesma.
“Ainda ontem tive duas pessoas que vieram de Lisboa e hoje já atendi um casal de Cascais para fazer PrPE”, diz, ilustrando uma procura que vai muito além da região do Algarve".
A reportagem completa aos serviços de Medicina Interna da ULS Algarve (unidades de Portimão-Lagos e de Faro) e à Unidade de Alvor do Grupo HPA Saúde pode ser lida na LIVE Medicina Interna 35 - Jan.-Abr. 2026.


