«Guidelines podem ser irrelevantes, inúteis ou até deletérias»

Manuel Viana, que partilha a presidência das Jornadas Multidisciplinares de MGF com outros dois médicos de família – Paulo Pessanha e Rui Costa –, sublinhou ontem, ao intervir na sessão de abertura da edição de 2026, que a medicina é uma ciência mas também é uma arte, havendo circunstâncias em que o segundo aspeto ganha protagonismo.

As primeiras palavras de Manuel Viana, para além de desejar as boas-vindas aos participantes – presenciais e online –, foram para sublinhar que o objetivo principal do evento continua a ser o mesmo da 1.ª edição, em 2019. Por um lado, “proporcionar um momento de formação e atualização, segundo as melhores evidências científicas, “mas também, e sobretudo, promover a troca de experiências entre médicos de MGF e de outras especialidades”.



Quanto aos temas abordados, eles são não só variados como abrangem “quer aqueles que têm tratamentos inovadores como os que, não os tendo, são, por isso, menos debatidos”. E frisou: Tentamos que isso seja sempre feito numa abordagem eminentemente prática, baseada em casos clínicos reais e com mensagens finais”.

“A medicina é uma ciência e uma arte”, referiu Manuel Viana, reconhecendo que “a melhor evidência científica baseia-se em ensaios clínicos, revisões sistemáticas e metanálises de que resultam as linhas de orientação, as guidelines.

No entanto, “muitos doentes – por exemplo, jovens e sobretudo idosos frágeis – são excluídos ou sub-representados nos ensaios clínicos, daí as guidelines serem aqui irrelevantes, inúteis ou até deletérias”.


Manuel Viana

“Nestes casos, a medicina é uma verdadeira arte, daí a necessidade de partilha de experiências entre os mais velhos e os mais novos, e entre as várias especialidades, baseada em casos reais do dia-a-dia, numa verdadeira gestão integrada das doenças, e não uma medicina compartimentada, em que as várias especialidades mal comunicam entre si”, afirmou.

Manuel Viana destacou depois o investimento que este ano foi feito em termos de proporcionar melhores condições, nomeadamente, a participantes e patrocinadores, o que foi possível com a organização a reservar todo o Centro de Congressos do Sheraton em exclusivo para as Jornadas.

Na cerimónia usaram igualmente da palavra Gabriela Queiroz, vereadora da Câmara Municipal do Porto, e a médica de família Ana Correia de Oliveira, vogal do Conselho de Gestão da Direção Executiva do SNS.


A Comissão Organizadora em pose: (atrás) João Matias, Hugo Barbosa Cordeiro, Rita Marques Costa, Ana Iva Costa Santos, Rodrigo Pinto Costa e Maria Inês Silva; (à frente) Paulo Pessanha, Manuel Viana e Rui Costa


“Estas Jornadas representam hoje um pilar fundamental na formação pós-graduada dos profissionais de saúde, especialmente dos médicos de família. Aqui, cruzamos o conhecimento científico mais atual com a experiência prática do dia-a--dia, promovendo uma aprendizagem que é contínua, colaborativa e verdadeiramente interdisciplinar”, afirmou Ana Correia de Oliveira, sublinhando:


“Este espírito é essencial para o desenvolvimento de competências clínicas, para a atualização constante e para garantir que cada um de nós oferece o melhor cuidado possível às pessoas e às comunidades que servimos.”

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