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Hipertensão e polipílula: «uma opção eficaz e segura na prevenção primária e secundária»

"Além da elevada prevalência de hipertensão arterial e de dislipidemia, a taxa de controlo em Portugal está longe do ideal", afirma Vitória Cunha, secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

A médica internista considera que "há vários motivos para o mau controlo dos fatores de risco e da doença cardiovascular: uma quota-parte está do lado do doente, com a fraca adesão terapêutica, mas outra tanta estará do lado dos profissionais de saúde, com a inércia médica."

E, nesse sentido, afirma: "É da nossa responsabilidade uma abordagem completa do risco, quer enquanto internistas, médicos de Medicina Geral e Familiar, cardiologistas e todos os que lidam com este tipo de doente."

Benefícios da polipílula

Precisamente a propósito da necessidade de uma abordagem holística, Vitória Cunha, que é especialista europeia em hipertensão arterial (HTA), recorda o processo de validação do conceito da polipílula:


"Em 2001, a Wellcome Trust e a OMS estabeleceram os princípios e requisitos de uma combinação de fármacos em comprimido único para a prevenção cardiovascular, e Yusuf, em 2002, salientou os principais benefícios desta polipílula, permitindo que Wald e Law, em 2003, afirmassem que um anti-hipertensor juntamente com um antidislipidémico (e, eventualmente, um antiagregante) reduzissem os eventos cardiovascular em cerca de 80%."

Um conceito que acabou por ser aprovado em 2011, "obviamente garantindo a estabilidade farmacocinética e farmacodinâmica dos componentes e a sua influência nos outcomes cardiovasculares."

Capacidade de "aumentar a adesão em 30 a 75%"


De acordo com Vitória Cunha, "algumas das desvantagens iniciais da polipílula foram ultrapassadas, com o aumento das formulações disponíveis". No entanto, a secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Hipertensão destaca alguns aspectos menos positivos:

"Ainda há poucas dosagens disponíveis, os comprimidos não são divisíveis, a omissão do comprimido leva à omissão de todos os componentes e a intolerância a um componente implica ad initio descontinuação de todos até diagnóstico da situação."

Contudo, "do outro lado da balança" são apontadas "importantes vantagens: a possibilidade de simplificar o esquema terapêutico, aumentando a adesão terapêutica, reduzindo os erros de omissão na toma, potenciando o sinergismo dos componentes e abordando vários FR simultaneamente." A médica sublinha ainda que a questão da adesão é "particularmente significativa no caso da HTA e da dislipidemia – doenças crónicas com terapêutica para a vida e frequentemente coexistentes no mesmo indivíduo".

E acrescenta: "Cerca de metade dos doentes suspende a terapêutica ao fim de um ano, mas a polipílula mostrou, em várias meta-análises, aumentar a adesão em 30 a 75%. A própria OMS colocou as associações fixas na lista de medicamentos essenciais e defende que aumentar a eficácia das intervenções sobre a adesão à terapêutica tem ou terá mais impacto sobre a saúde da população do que a melhoria em tratamentos médicos específicos."


Vitória Cunha

Eficaz "sem aumento dos efeitos adversos graves"

Segundo Vitória Cunha, "a polipílula (com e sem aspirina) já demonstrou ser eficaz na prevenção primária, com redução na PA sistólica e no colesterol LDL, e, consequentemente, nos eventos CV, sem aumento significativo dos efeitos adversos". Mas não só: "Mostrou também ser eficaz na prevenção secundária, com redução da morbimortalidade cardiovascular de forma significativa, mais uma vez, sem aumento dos efeitos adversos graves."

Para a médica, que coordena a Consulta de HTA e da Unidade Hospitalização Domiciliária do Hospital Garcia de Orta, não há qualquer dúvida na conclusão a tirar:

"Como profissionais de saúde interessados na abordagem do risco CV global, devemos considerar a polipílula  como uma opção eficaz e segura quer na prevenção primária, quer na prevenção secundária, aumentando a adesão terapêutica e a eficácia da intervenção nos nossos doentes para redução de morbilidade e mortalidade cardiovascular."



O artigo completo pode ser lido no Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Primários.

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