Imagiologia do HSM é pioneira na ablação percutânea da tiroide por micro-ondas

O Serviço de Imagiologia do Hospital de Santa Maria (CHULN) realizou, nas últimas semanas, a primeira técnica de ablação percutânea da tiroide por micro-ondas no país.

Prometendo o tratamento de nódulos de maior dimensão, de uma forma mais rápida e segura, esta instituição aguarda a autorização da Comissão de Harmonização e Boas Práticas para agendar as próximas intervenções.



"Uma técnica muito promissora"

Foi Leonor Fernandes, médica radiologista do Serviço de Imagiologia do CHULN há 16 anos, quem realizou pela primeira vez este procedimento, com o apoio da Anestesiologia e da Enfermagem.

“Estamos perante uma técnica muito promissora, possibilitada pelo avanço tecnológico, que se aplica a doentes selecionados de forma criteriosa. É o resultado de um trabalho conjunto da instituição, da equipa que veicula a técnica e do próprio equipamento, que é o vértice do cúmulo de uma pirâmide de cuidados”, refere, em declarações à Just News.



Leonor Fernandes

Apesar de a vasta maioria dos nódulos da tiroide ser benigna, Leonor Fernandes explica que “é fundamental o radiologista proceder à estratificação de risco por ecografia, de forma a identificar a probabilidade de malignidade de cada nódulo”.

Contudo, “ainda que o diagnóstico demonstre benignidade, poderá manter-se a necessidade de intervir, por ser muito volumoso, sintomático, nomeadamente condicionando dispneia e disfagia, ou mesmo por motivos estéticos”.



“Permite tratar nódulos maiores, de forma mais rápida e segura”

A opção pela realização de técnicas minimamente invasivas tem sido privilegiada pela vantagem de evitar a cirurgia, a anestesia geral, a hospitalização e eventuais complicações.

No caso da terapêutica ablativa por micro-ondas, que surge como alternativa à radiofrequência, Leonor Fernandes destaca como benéfico o facto de “a temperatura ser superior, mais homogénea e controlável”, permitindo “tratar nódulos maiores, de forma mais rápida e segura”.



Sob orientação ecográfica, “o radiologista consegue controlar muito bem todo o procedimento e mobilizar a agulha muito menos vezes, tratando o mesmo volume do nódulo, diminuindo o risco de hemorragia e de complicações”.

Os atuais critérios de inclusão baseiam-se em nódulos benignos, com uma dimensão superior a 2 cm, que tenham sido confirmados por duas citologias prévias e sejam bem visíveis através de ecografia. Esta técnica tem uma duração média de 40 minutos e apenas requer anestesia local, uma ligeira sedação e privilegia o diálogo durante todo o procedimento, a fim de monitorizar a qualidade da voz.


João Leitão, diretor do Serviço de Imagiologia, e Leonor Fernandes

"A evidência científica aponta para uma redução do volume do nódulo superior a 50%, a seis meses, e para resultados ainda mais promissores nos controlos anuais”, evidencia.

“Resultando, pode ser realizada apenas uma vez”, acrescenta, destacando que “esta necrose por coagulação do tecido por efeito térmico deverá ser feita em pelo menos 80% do volume do nódulo para ser eficaz”.

Melhor referenciação requer maior conhecimento sobre a opção

Tendo recebido de imediato o apoio do Conselho de Administração do CHULN, João Leitão, diretor do Serviço de Imagiologia, adianta que a utilização futura desta técnica está “apenas pendente da autorização da Comissão de Harmonização e Boas Práticas”.



João Leitão

De acordo com o responsável, a Radiologia ainda se depara com a dificuldade de referenciação direta das restantes especialidades.

Na sua opinião, a realização desta técnica está “muito dependente de reuniões multidisciplinares, onde é discutida qual a melhor terapêutica individualizada para cada doente, e da referenciação de colegas que conhecem a existência desta opção”.


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