Investigação em Medicina: Congresso das Escolas Médicas vai permitir «rentabilizar recursos»

Segundo Duarte Nuno Vieira, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), “a investigação tem um papel fundamental no âmbito da formação médica (pré e pós-graduada)”. O responsável falava a propósito do I Congresso de Investigação em Medicina das Escolas Médicas Portuguesas, organizado pelo Conselho das Escolas Médicas Portuguesas (CEMP), que terá lugar nos dias 28 e 29 de abril, em Coimbra.

Em declarações à Just News, o diretor da FMUC explicou que o objetivo é “passar a organizar todos os anos, e alternadamente em cada uma das escolas que integram o CEMP, um congresso onde se possa refletir sobre a investigação que está a ser produzida nas faculdades de Medicina do país e, nomeadamente, sobre os principais desafios, dificuldades e oportunidades que se colocam”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai presidir à abertura solene do evento. Marcarão igualmente presença o ministro da Saúde, o reitor da Universidade de Coimbra e os diretores de todas as escolas médicas do país.

A proposta para a organização do congresso foi apresentada no ano passado por Duarte Nuno Vieira ao Conselho das Escolas Médicas Portuguesas, organismo onde têm assento os diretores das diversas faculdades de Medicina nacionais.



Na opinião do diretor da FMUC, faz todo o sentido que exista um evento de âmbito nacional porque “se trata de uma área de intervenção transversal às várias escolas”. Por outro lado, “além de ser muito positivo partilhar experiências, o facto de ser um congresso que envolve as diversas escolas portuguesas permitirá estabelecer parcerias, rentabilizar recursos e as pessoas conhecerem-se umas às outras”, afirmou.

Duarte Nuno Vieira lembrou ainda que, em abril de 2018, Coimbra vai acolher a Reunião de Primavera da Cimeira Mundial de Saúde, podendo este congresso representar também uma “abertura de portas” para esse evento.

Papel da investigação na formação pré e pós-graduada e no decurso da carreira médica

O programa científico divide-se em três módulos de sessões científicas: o primeiro será mais dedicado ao papel que a investigação desempenha na formação pré-graduada do médico; o segundo visa o papel da investigação na formação pós-graduada; por fim, haverá um painel sobre investigação no decurso da carreira médica.



Duarte Nuno Vieira realça que serão discutidos temas que interessam a todas as escolas e a quem está ligado ao ensino médico. A integração dos conteúdos de investigação científica no currículo académico, a articulação da investigação nas escolas médicas e nos hospitais portugueses e as estratégias de apoio à investigação biomédica são algumas das matérias a debater.

O responsável salienta que estarão também em debate questões relacionadas com o financiamento da investigação, o impacto do treino de investigação no desempenho clínico, a comunicação em ciência, a investigação como caminho para a arte e a importância dos biobancos.


Henrique Girão, subdiretor da FMUC para a área da "Investigação científica e desenvolvimento tecnológico", com elementos da sua equipa. O investigador integra a Comissão Organizadora do I Congresso de Investigação em Medicina das Escolas Médicas Portuguesas.

Haverá também um espaço para os alunos de mestrado integrado e doutoramento apresentarem os principais projetos de investigação que desenvolveram nos últimos tempos em cada escola, o que permitirá, segundo o diretor da FMUC, “tomar conhecimento, anualmente, da melhor investigação produzida nas faculdades de Medicina”.

“Investigação de excelente qualidade”

Questionado sobre o panorama da investigação nas escolas médicas portuguesas, Duarte Nuno Vieira afirmou que o facto de vivermos num tempo em que é difícil a renovação do equipamento tecnológico, tal como a contratação de mais gente, cria dificuldades acrescidas. No entanto, “é também nos tempos de dificuldades que melhor se evidenciam as capacidades das pessoas”.

“Apesar do momento que o país atravessa e irá atravessar num futuro próximo, tem-se desenvolvido investigação de excelente qualidade; prova disso são os prémios que Portugal tem obtido, as descobertas fantásticas que se vão concretizando e os financiamentos comunitários em quadros muito competitivos que temos obtido”, destacou.



Duarte Nuno Vieira referiu que, só com um dos projetos que desenvolveu, a FMUC foi financiada recentemente com 2,5 milhões de euros, o que é assinalável e representa igualmente uma captação de financiamentos para o país. “É dinheiro que entra para o país e para uma área fundamental.”

“Julgo que se está a fazer um excelente trabalho de investigação nas faculdades, sem prejuízo de reconhecer que é possível fazer ainda mais e melhor”, mencionou, salientando que, para que isso possa, acontecer são necessárias algumas alterações legislativas.

A título de exemplo, o diretor da FMUC refere que os alunos estão hoje muito limitados no desenvolvimento de projetos de investigação, pois, existe legislação que, de forma “um pouco absurda”, limita o acesso aos ficheiros, "à informação clínica".



Contacto: 
congressoinvestigacao@fmed.uc.pt 
Podem ser consultadas mais informações aqui.






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