Medicina e Fisiologia do Exercício: ainda existe «um hiato de confiança»

Reconhecer o fisiologista do exercício como um parceiro importante das equipas multidisciplinares de promoção da saúde é dos principais objetivos da Associação Portuguesa dos Fisiologistas do Exercício (APFE). Cristina Caetano, diretora-executiva do Ginásio Clube Português, é a presidente desta associação recém criada.

Em declarações à Just News, considera ser “urgente promover, junto da sociedade, o reconhecimento das competências dos profissionais, cuja base de formação se centra no grau de licenciado ou mestre na área do desporto, preferencialmente com especialização no contexto do exercício e saúde ou da fisiologia do exercício, em paridade com outras profissões que atuam na promoção da saúde e dos estilos de vida saudáveis".

E relembra: “É preciso respeitar o facto de existir, em Portugal, formação superior especializada na área, desde 1994, e quem tem competências para avaliar e prescrever exercício físico para populações especiais é o fisiologista do exercício, por causa da sua formação superior de base”.


Cristina Caetano com alunos da Universidade Europeia, onde é orientadora de estágio, durante o 22.º Congresso Português de Obesidade

Quanto aos restantes profissionais de saúde, a presidente da APFE referiu que existe “um hiato de confiança entre a Medicina e estes profissionais, e respetivos contextos de intervenção, que é visível nos cuidados de saúde primários".

Uma realidade que, no entanto, "poderá mudar com os projetos-piloto de consultas de prescrição de exercício, dadas pelos fisiologistas, que estão a ser implementadas com base no Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física da Direção-Geral da Saúde (DGS).”

Para Cristina Caetano, este projeto da DGS "é essencial". A docente reconhece que “os médicos têm plena consciência da importância da atividade física e do exercício físico na saúde dos utentes, porque existe evidência científica muito forte de que é benéfico na prevenção primária, secundária, terciária e como coadjuvante terapêutico no tratamento de múltiplas patologias". Contudo, sublinha, frequentemente "não sabem a quem referenciar”.



A responsável recorda que o trabalho dos fisiologistas do exercício envolve indivíduos saudáveis e de baixo risco, "mas também pessoas com condições clínicas ou de elevado risco, sempre em interação com outros profissionais de saúde".

Na sua opinião, não há dúvida quanto ao caminho a seguir: “Hoje e num futuro próximo é uma necessidade crescente para a saúde pública dar atenção a esta área tão fundamental, nomeadamente na obesidade, na diabetes tipo 2, nas doenças cardiovasculares, na demência, na depressão, nas doenças oncológicas, entre outras.”


Mestrandos da Faculdade de Motricidade Humana, alunos de Cristina Caetano

Criada em janeiro deste ano, a APFE foi apresentada publicamente a 7 de novembro, no Ginásio Clube Português. Para o futuro fica a garantia: “Vamos lutar por uma Ordem dos Fisiologistas do Exercício que regule, com autonomia, as condições de acesso e exercício da profissão, de forma a assegurar a qualidade dos serviços prestados no âmbito do exercício e saúde e do rendimento desportivo.”


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