Médicos de família vão ao encontro da população de bairros sociais de Braga para prevenir a covid-19

Um grupo de internos de Medicina Geral e Familiar (MGF) deslocaram-se aos bairros sociais de Braga, para sensibilizar a população sobre os cuidados a ter em tempo de pandemia. “Foi uma oportunidade única de vivenciar verdadeiramente o meio envolvente dos utentes, tendo-se uma visão mais holística das suas especificidades e dificuldades”, afirma Jorge Hernâni-Eusébio, presidente do Núcleo de Internos do ACES Cávado I - Braga (NIBraga).

A iniciativa começou por ser proposta à Escola de Medicina da Universidade do Minho pela Câmara Municipal de Braga que, por sua vez, lançou a ideia ao NIBraga, que contou com a parceria do ACES Cávado I – Braga e da Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa.


Jorge Hernâni-Eusébio

“A dinamização do projeto partiu de uma participação 100% voluntária dos médicos internos de MGF, sendo que cerca de 30 foram aos bairros sociais de Santa Tecla, Picoto, Enguardas e Andorinhas para divulgarem mensagens simples e transversais, fundamentais para prevenir a disseminação da covid-19.”

Jorge Hernâni-Eusébio refere ainda, em entrevista à Just News, que encontraram uma “população muito heterogénea” e já com alguma informação. “Havia uma particular sensibilidade e atenção para o controlo desta doença e prova disso foi a vontade dos habitantes darem a sua opinião e, inclusive, partilharem outras medidas que já adotam nas suas casas.”

No fundo, os médicos “apenas tiveram necessidade de limar algumas arestas”, porque o uso de máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social já eram hábitos enraizados.


Equipa de Coordenação do Projeto "O Novo Normal": Rosana Dantas, Ângela Mendes, Ana Rita Barbosa e Jorge Hernâni-Eusébio

"É uma população mais vulnerável pelo seu baixo nível de literacia em saúde"

Gabriela Ribeiro, médica de família e docente na Universidade do Minho, também participou na iniciativa e realçou a importância de se "adaptar as mensagens às características da população".


Gabriela Ribeiro

A médica explica que “são bairros onde se concentram minorias étnicas, pessoas desfavorecidas pelo seu grau de incapacidade para o trabalho, feirantes, beneficiários do rendimento social de inserção. É uma população mais vulnerável pelo seu baixo nível de literacia em saúde.”

Como exemplifica: “Perante um feirante falávamos dos cuidados a ter com os clientes, como o distanciamento e a desinfeção das mãos, principalmente depois de mexerem em dinheiro. Não nos focámos apenas na vida doméstica, mas também nos cuidados laborais.”

Medicina Preventiva: "torna-se lógico que o MGF possa e deva ter este papel no terreno"

Para os futuros especialistas em MGF foi a oportunidade de conhecerem melhor o ambiente em que vivem estes utentes, vincando a ideia de que é preciso sair das unidades de saúde e ir ao encontro da população. “Como vetor da Medicina Preventiva, centrada por excelência no utente, torna-se lógico que o MGF possa e deva ter este papel no terreno”, salienta Jorge Hernâni-Eusébio.

“A prevenção, tanto da covid-19 como de qualquer outra patologia, passa primordialmente pela educação para a saúde, que continua a ser a pedra basilar da Medicina Preventiva, empoderando o utente através da partilha com o mesmo de conhecimento proveniente de fontes fidedignas sobre diversos assuntos de saúde e prevenção de doença”, acrescenta.


Foto tirada no final da última sessão de educação para a saúde no Bairro de Santa Tecla. Inclui os médicos internos de MGF que deram a formação e ainda os colaboradores da Cruz Vermelha responsáveis pela mediação das sessões neste bairro.

As sessões tiveram lugar em salas dos bairros, onde só podiam estar 10 pessoas, com o devido distanciamento e os preletores foram os internos. Numa semana conseguiram chegar a cerca de 100 bracarenses que vivem em bairros sociais.




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