Medicina Interna: «O papel do orientador de formação tem de ser valorizado»

“Queremos que o curso valorize o papel do orientador de formação”, explica Zélia Lopes, internista no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa (CHTS), em Penafiel, e uma das criadoras do curso do Núcleo de Estudos de Formação em Medicina Interna (NEForMI), da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).

Zélia Lopes e Susana Marques, especialista de MI no Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), são as formadoras responsáveis pela criação do curso, em 2016, destinado a especialistas em MI.

Em declarações à Just News, explicam que o projeto foi inovador na Sociedade: “tínhamos muitas ações para internos, mas não para os orientadores de formação. O objetivo é falar sobre esta temática, que estava, de certa forma, esquecida”, sublinharam.


Susana Marques, Zelia Lopes, Carla Araujo

As profissionais esclarecem ainda que no OFMI não há “barreiras ideológicas”, o curso é para todos os especialistas de Medicina Interna, de todas as idades, e de todos os hospitais do país. Prova disso foi a sessão presencial do curso, que teve lugar no dia 4 de fevereiro, em Lisboa, na sede da SPMI, onde foram recebidos oito participantes de várias regiões do país.

O curso está inserido no projeto do AOFMI – Ano do Orientador de Formação de MI, que decorre ao longo de 2022. Tem quatro formadores, além das criadoras, lecionam Carla Araújo, internista no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e Ricardo Fernandes, especialista em MI no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho (CHVNGE). Esta formação acontece, normalmente, duas vezes por ano.

“Colmatar uma lacuna de formação”

De acordo com Carla Araújo, o OFMI surgiu com o propósito de “colmatar uma lacuna de formação”. Por outro lado, sublinha que “o papel do orientador de formação tem de ser valorizado dentro da medicina e até regulamentado”.

Para a formadora, a MI pode ser pioneira nesta missão, uma vez que “a ideia é criar um movimento nacional e mostrar a importância e motivação que os hospitais têm de dar aos OF, de modo a acompanharem eficazmente o internato”.



Tempo dedicado ao interno "não é cumprido"

O regulamento do internato médico contempla que o especialista em MI não deve ter mais do que 3 internos, de anos diferentes, e que têm de lhes dedicar 3 horas por dia. Contudo, “esse tempo não é cumprido”, garante Susana Marques. E, assim, “toda a formação fica comprometida”, sublinha Zélia Lopes.

A edição deste ano do curso teve um formato inovador em modelo b-learning, em que uma componente online de três horas, ficou disponível para consulta antes da sessão presencial. Esta última foi organizada em um dia, num total de oito horas. Liderança e Comunicação, entre outros, foram módulos introduzidos.

O curso atribuiu, através da Certificação Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), o certificado de Formação Profissional da Plataforma SIGO, coordenado pela Direção Geral da Estatística da Educação e Ciência (DGEEC).

A segunda edição de 2022 acontecerá a 21 de outubro, no Porto. Nos dias 27 de abril, 6 de julho e 21 de setembro vão, por sua vez, realizar-se webinars de formação para os OFMI, em horário pós-laboral.

Criação de uma rede nacional de orientadores de formação

Até ao final do ano, a SPMI adianta estar empenhada em criar uma "rede nacional de OFMI até agora inexistente", e elaborar uma ferramenta de trabalho – o Guia de Apoio à Formação em Medicina Interna (GAFMI), que pretende "ajudar a encontrar resposta para as questões inerentes ao exercício desta função".

Com vista à consolidação dos objetivos, será reservada a “Tarde do Orientador de Formação”, no 28º Congresso Nacional de Medicina Interna, que realizará em Vilamoura, em outubro de 2022.



seg.
ter.
qua.
qui.
sex.
sáb.
dom.

Digite o termo que deseja pesquisar no campo abaixo:

Eventos do dia 24/12/2017:

Imprimir