Com a Unidade Integrada de Diabetes do HGO «as pessoas sentem que são valorizadas»
Até há pouco tempo, os doentes que eram internados com diabetes tinham de se deslocar ao piso das consultas externas para saberem mais sobre a sua doença, autovigilância e controlo e início de insulinoterapia.
Educar para a saúde durante o internamento
Isabel Manita, endocrinologista e responsável pela UID, refere que, para promover a educação para a saúde durante o internamento e para se agilizar os ensinos em tempo útil, de forma a não protelar as altas, a UID propôs uma organização de trabalho, privilegiando a interligação da equipa da diabetes entre a consulta externa e os diferentes internamentos.
Assim, continua, “foram organizadas sessões de formação para que os colegas médicos e enfermeiros pudessem consolidar os seus conhecimentos sobre terapêuticas, autovigilância, administração e iniciação da insulina, equipamentos (glicómetros, bombas perfusoras de insulina) e critérios de referenciação”.
Com esta medida, dotaram-se os serviços com os equipamentos necessários para agilizar o trabalho dos profissionais de saúde, mas, sobretudo, para se chegar ao doente com diabetes, principalmente aos recém-diagnosticados, de modo a que o controlo desta patologia crónica comece numa fase precoce.
Neste âmbito, também se está a trabalhar na implementação de um protocolo de iniciação da insulinoterapia no internamento, uma área que ainda gera algumas dúvidas. 
Jorge Portugal, diretor do Serviço de Endocrinologia do HGO, com elementos da equipa da UID
"As pessoas sentem que são valorizadas"
A organização da formação teórico-prática destes profissionais ficou a cargo das enfermeiras Elisabete Santos, Cláudia Ferrão e Ana Veiga, que constituem, juntamente com Isabel Manita, a equipa hospitalar da Unidade Coordenadora Funcional da Diabetes (UCFD) Almada/Seixal.
Segundo Elisabete Santos, tem sido um trabalho muito gratificante e que traz mais-valias, sobretudo, aos doentes. “Não se trata apenas de melhorar a interligação entre o internamento e as consultas externas, mas, no que diz respeito à Consulta de Diabetes, as pessoas sentem que são valorizadas quando percebem que os serviços estão organizados no sentido de ir ao encontro das suas necessidades”, refere.
Esta proximidade também acontece com os cuidadores, sejam eles familiares ou não. “Tenta-se sempre que estejam presentes, para ajudarem na vigilância da doença, para saberem o que fazer em caso de hipoglicemia, etc.”, salienta a enfermeira.
Contudo, nem sempre é fácil. “Infelizmente, é uma realidade, nem todos se predispõem a vir. A ausência de familiares, por exemplo, é mais evidente quando se trata de doentes idosos que vivem sozinhos."
Elisabete Santos, Cláudia Ferrão e Ana Veiga
Esforço para envolver familiares e "transmitir confiança"
Esta tentativa de envolver quem cuida ou quem tem contacto mais direto com os utentes também acontece nas consultas externas. “Para facilitar a vida aos familiares, chegamos a tentar marcar consulta consoante os seus horários, mas, mesmo assim, há dificuldades. É triste”, aponta.
Cláudia Ferrão acrescenta ainda que, também a pensar nos utentes e seus familiares, foi dada formação a toda a equipa de enfermagem das consultas externas. “As pessoas vêm ter connosco, mesmo no corredor, para pedir informações, e é preciso estar preparado para dar resposta, não podemos deixá-las sem informação”, diz.
O esclarecimento de dúvidas pode ser, assim, feito presencialmente ou por telefone direto, sendo que, “desta forma, é mais fácil transmitir confiança a quem nos procura, é uma maneira de mostrar que estamos disponíveis para os ajudar”.

Como a enfermagem tem um papel fundamental na educação para a saúde, a equipa da UID também trabalha para que as pessoas com diabetes aprendam a manusear o glicómetro ou a bomba perfusora de insulina, a fazer a picada de forma correta e a medir os valores de glicemia.
Mas não só. “A mudança de estilos de vida é muito importante para que se possa controlar as comorbilidades da diabetes, por isso, com o apoio das dietistas, tentamos que o doente adote uma dieta equilibrada e faça exercício físico”, conta Ana Veiga.
Uma tarefa que também não é fácil de gerir. “Há sempre resistências quando se fala em mudar hábitos, mas com esforço e dedicação vamos tentando”, diz. Continuando, refere que, “quando estamos perante pessoas com culturas diferentes, é dado todo o apoio para que se encontre uma forma de fazer uma alimentação saudável sem pôr em causa os costumes de determinado país ou cultura.”
UID facilitou interdisciplinaridade "entre médicos e enfermeiros"
Em suma, como gosta de frisar Elisabete Santos, “todo o trabalho é possível porque trabalhamos em equipa. De forma isolada não se obtêm bons resultados”. A enfermeira refere mesmo que, antes da criação da UID, “não havia esta interdisciplinaridade, entre especialidades e médicos e enfermeiros”.
A notícia pode ser lida na edição de outubro do Hospital Público.


